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A MATEMÁTICA QUE MANDA NO FLEURY

(Fiquem frios, não é o Fleury do 1º ano de Análise de Sistemas)

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Matemática Mandona

Matemática que prefere ficar longe dos números e perto das pessoas, Regina Pistelli é a CIO que há pouco mais de um ano dá o tom da tecnologia no Centro de medicina Diagnóstica Fleury, um dos laboratórios mais importantes do país. A rotina dessa paulistana, nascida na Lapa há 47 anos, inclui administrar um orçamento de 10 milhões de reais e atender às necessidades de 1,8 mil usuários de informática e 3 mil clientes que todos os dias passam pelas 16 unidades do laboratório. Por lidar com informações tão sensíveis sobre a saúde das pessoas, não é surpresa que a excelência seja o maior desafio da turma de tecnologia do Fleury, cuja rede sustenta o tráfego de 1 terabyte de dados e 14 mil exames por dia. Leia, a seguir a conversa que Regina Pistelli teve com a INFO.

 

 

INFO> Como é a linha de produção, de exames?
REGINA PISTELLI> A linha de produção, de exames de sangue ou químicos, é totalmente robotizada. Depois que a enfermeira etiqueta o tubinho no qual foi feita a coleta, na frente do paciente, não há mais contato manual. Os tubos são guardados em engradados e saem das unidades para o laboratório central, onde ficam os 250 médicos especialistas. Temos um robô que anda de um lado para o outro, fala bom-dia e pede licença.

Qual a função desse robô?
Ele distribui os tubinhos na linha conforme a natureza de cada exame. Quando as análises são incluídas, os tubos são separados de acordo com o tempo que ficarão armazenados no laboratório, pode ser 20 dias ou um ano. Cada tubo é mapeado, e o sistema armazena no banco de dados o exato posicionamento dele na soroteca. Todas as 16 unidades do Fleury estão ligadas ao computador central que processa as análises. Terminado o processo, o resultado é impresso, vai para a internet e/ou é enviado por e-mail.

Quantos exames são processados por dia?
Aproximadamente 14 mil. Um sistema de apoio à decisão faz a análise dos dados e libera automaticamente cerca de 70% dos resultados.

E os outros 30%?
Quando cada exame é concluído, o sistema de apoio à decisão compara os resultados com o perfil do paciente. Qualquer distorção é identificada e o exame é refeito. Guardadas as proporções, com esse método nós levamos a inteligência do médico ao computador.

Qual a infra-estrutura do laboratório central?
São 60 servidores Intel com Windows, outros 7 rodam SCO Unix e mais 3, na plataforma Risc, rodam AIX. Em todo o Fleury temos 1.300 estações e 70% delas rodam Windows 2000. As outras estão com NT e XP.

E o Linux?
Está na bioinformáçtica, com sistemas de algoritmos computacionais desenvolvidos pelo Fleury no ano passado e alguns programas de universidades americanas. O Linux também está em parte da infra-estrutura central do laboratório, mas a minha rede é Microsoft com Exchange, Office e banco de dados SQL.

É uma preferência?
Em algum momento o Fleury optou pela Microsoft por ser padrão de mercado. Precisamos falar a língua que chega à casa do consumidor final. Temos algumas ilhas Linux porque há aplicações que se desenvolvem muito melhor nele, e nosso usuário se sente á vontade para usar. O Linux é uma alternativa para soluções pontuais. E funciona. Estamos muito satisfeitos.

O Fleury tem um sistema que permite ao médico e ao paciente acompanhar online o histórico dos exames. Como funciona?
O laudo Evolutivo permite acessar resultados de exames online, com histórico de tudo. Nós já tínhamos essas informações em nosso banco de dados e no ano passado passamos a usa-las de um jeito mais inteligente. Imagine um sistema desenhado em uma camada superior busca na inferior o dado que precisamos entregar como a evolução do nível de colesterol de uma pessoa.

Por quanto tempo os exames ficam armazenados?
Por tempo indeterminado. Os exames que estão disponíveis são todos os que o cliente já fez.

Médicos e clientes acessam os resultados na mesma interface?
Não. O cliente precisa autorizar o médico a ver suas informações. Além disso, a apresentação dos resultados é diferente. Os médicos recebem os dados em forma de gráficos que só eles sabem interpretar. Para o cliente final, mandamos tudo mastigadinho. No caso do diagnóstico por imagem, por exemplo, coloca-se no site um laudo escrito. Os pacientes muitas vezes nem buscam imagem original no laboratório. Já os médicos precisam da imagem com roda a definição possível. E adoram isso. Adoram ter banda larga para ver imagem online em alta definição, por e-mail, ou receber no consultório em CD com tudo gravado.

E os clientes usam muito a internet?
Setenta por cento deles buscam o resultado dos exames online. São 3,5 mil acessos por dia.

Tanta informação deve resultar em um robusto banco de dados.
Temos a o todo 2 Terabytes de dados armazenados, sendo que 440 gigabytes são imagens de exames de ultra-sonografia, anatomia patológica, cardiologia, otorrinolaringologia e medicina fetal. São mais de 2 milhões de imagens, tudo online. Além disso, temos 1,8 terabytes de exames que exigem altíssima resolução, como os de medicina nuclear, raios X, tomografia e ressonância magnética. A fidelidade é absoluta, porque a imagem é o diagnóstico.

Que rede suporta tudo isso?
Um backbone gigabit com redundância e cabeamento CAT.6. São 18 unidades, hospitais e nosso call center conectados por link de fibra óptica de 1 Mbps a 10 Mbps, dependendo do tráfego.

Qual o maior benefício do uso da banda larga entre unidades?
Permitir o acesso remoto dos médicos, evitar seu deslocamento entre as unidades e dar acesso a imagens de exames em altíssima resolução.

Os quiosques do Fleury também estão online?
Sim, o conceito é o mesmo dos caixas eletrônicos dos bancos. Já temos vários quiosques espalhados pela cidade, em shoppings e do lado de fora de unidades do laboratório. Quem estiver passeando pode ver o resultado de um exame, o de gravidez, por exemplo, nos terminais remotos. Os resultados são impressos na hora.

Qual a vantagem de informatizar o call center?
Ao automatizar todo o call center nós transferimos para o telefone a ficha cadastral. Quando você liga para marcar um exame, o atendente fornece os dados que costumam sei solicitados nas unidades. Isso agiliza o processo. Na hora do exame, basta confirmar os procedimentos. Queremos chegar ao ponto em que o cliente que não quiser ser chamado por um número seja anunciado pelo nome. Aquele que não gostar de ser chamado pelo nome, não será anunciado: alguém tocará em seu ombro e o conduzirá discretamente à sala de exames. Tudo isso graças ao perfil detalhado de cada cliente, armazenado em nossas bases.

Como vocês garantem segurança no tráfego de informações?
Criamos neste anos um monitoramento 24/7. Os nomes dos pacientes são cobertos para todos os exames, e os documentos confidenciais, destruídos. Somos auditados freqüentemente e nunca tivemos o sistema invadido. A informação da internet é criptografada, e o cliente só trafega em canais seguros entre as unidades. Temos também uma rede de voz seguros entre as unidades.Temos também uma rede de voz sobre IP com links próprios e, para fora, há uma área demilitarizada. Na minha casa você entra, mas há um limite. Fora do portão, o firewall pergunta quem é você antes de deixa-la ou não entrar. E diz até onde ir.

O Fleury desenvolve soluções internamente?
Sim, mas minha visão é a seguinte: se houver como trazer informações, projetos, sistemas e componentes prontos do mercado, eu vou compartilhar ou adquirir. Não perco tempo com coisas que já estão prontas.

Qual o seu maior desafio?
Trazer uma forma de ver tecnologia. Quando cheguei, os médicos tinham algumas necessidades frustradas porque achavam que o único jeito de fazer era mudar tudo. Laudo evolutivo foi um caso. Consegui mostrar que dava para fazer um sistema eficiente sem jogar fora as informações que a gente já tinha.

Na sua carreira você já se arrependeu de alguma decisão?
Tem uma história que pega. Quando eu trabalhava na Credicard, era responsável por todas as operações de faturamento de cartões de crédito. Um dia, às vésperas do natal, deu pau no sistema e eu tinha de escolher entre deixar o cliente sem acesso por 15 minutos durante o dia ou fazer uma manobra de backup na madrugada. Optei pelos 15 minutos que foram na verdade horas de sistema fora do ar. Deveria ter priorizado a nova venda e não a venda garantida. Errei ao deixar o cliente na mão por tanto tempo.

As pessoas que conhecem seu trabalho costumam dizer que você é especialista em relacionamentos.
Para tomar a decisão certa, é preciso saber se colocar no lugar do outro, seja ele meu usuário de informática, seja um cliente final. As pessoas que trabalham com tecnologia têm de gostar de servir. Não é uma área de visibilidade. Eu trabalho para o negócio dar certo, sou bastante flexível, mas odeio quebra-galho.

 

 

FONTE: Revista INFO, Ano 19, Nº221, Agosto/2004, página 62 à 64.

CEDENTE: Escova_Furios

EDIÇÃO ONLINE: Programmer e Web Master

 

 

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